Wednesday, January 10, 2007

REVISTA ANTOLÓGICA
LÍTERO CULTURAL
( HISTÓRICA )

NÚMERO 01 ABRIL / 2005

ORGANIZADOR : SELMO VASCONCELLOS

EDITOR da página literária semanal intitulada LÍTERO CULTURAL no Jornal Alto Madeira, Porto Velho, Rondônia há 14 anos ( 15 de agosto de 1991 ).

Possui cerca de 2200 colaboradores e 100 membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural em todos os quadrantes do País e nos seguintes Países :

Bolívia,Venezuela, Chile, Argentina, Uruguai, Colômbia, Cuba, EUA, França, Itália, Espanha, Alemanha, Portugal, Noruega, Canadá, Rússia, México, China, Japão, Coréia do Sul, Grécia, Áustria, Malta, Honduras, Bélgica, Dinamarca, Índia, Algéria, Marrocos, Macedônia, Polônia, Holanda, Guatemala, Inglaterra e Nicarágua.

CONTATO : CAIXA POSTAL 1335, PORTO VELHO , RO – BRASIL - 78.900.970
s.vasconcellos@br.turbo.com.br – vasconcelloselmo@hotmail.com

PARTICIPANTES DA REVISTA ANTOLÓGICA LÍTERO CULTURAL

Membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural / Jornal Alto Madeira:

Renomados escritores nacionalmente e internacionalmente premiados, várias obras individuais e coletivas publicadas dentro e fora do País e membros de inúmeras instituições acadêmicas no Brasil e no exterior.

FONTES :
*Livros, jornais, revistas e periódicos enviados gentilmente pelos escritores, editores e editoras para divulgação no Lítero Cultural.

ROSEMARY LOPES PEREIRA
CURITIBA, PR.
Cronista.Jornalista e Diretora do jornal
O RADAR, Apucarana, PR.
1ª participação no Lítero Cultural : 01 / 07 / 1994.
Momento Lítero Cultural é um brinde ao coração.

AMIGOS DE CORAÇÃO

Talvez o frio intenso. A vontade de me aquecer. Este silêncio feito de lembranças. Talvez a carta que recebi. O convite para o café. O sorriso de uma criança. Ou as frases que li. Sobre o valor das amizades.
Se Jesus chorou por Lázaro seu amigo. O que posso dizer. Sobre esse dom enriquecedor da vida. O de ser amigo ? ainda há pouco, um amigo meu partiu. De uma forma arrasadora. Nesta mistura de lembranças, fico perdida. Absorta. Numa meditação profunda. O que temos feito por aquele que chamamos de amigo ?
Suaviza a tarde. Enxugo minhas lágrimas. O sol se infiltra pela janela. O sol amigo. Para todos. Sinto crescer na minha alma um desejo. De ser o sol para aquecer a todos. Francisco de Assis, conhecia esses dons. Agradecia e saudava. A lua, o sol, a água. Assim é um amigo. Esse conjunto de graças. Belo como o luar. Aquecedor como o sol. Envolvente como a água.
Mais poderoso que a tecnologia. É o pensamento. O coração. Sente e vibra a qualquer distância. Vai até o amigo a qualquer hora. Como agora. Que viajo para rever. Os amigos que fiz na minha caminhada. Com eles andei. Cantei e também chorei. Com eles ainda vivo. Guardados no peito. Cheio de afeição. Amigo é como uma estrela brilhante. Mesmo distante, é luz no céu da vida.
Visito hoje. As ruas de minha alma. Resgato imagens e sons. Rostos e vozes. À sombra do edifício que é a vida, paro. Reconstituo cenas. De momentos vividos. Dos meus amores eternos.
Meus abraços carregam carinhos. Meus lábios acrescidos de bênçãos. No beijo e na palavra. Guardo no peito. Num relicário que não envelhece. Que acolhe todos os gestos e lembranças.
Sou a mais rica das criaturas. O frio empurra o vento. O vento derruba a flor. E eu recolho as pétalas da vida. Que Deus abençoou.
Meu amigo que caminha com as estrelas. Que está perto de mim. Que me acaricia. Que me escreve. Que me oferece bombons. Que lê meus pensamentos. Que canta uma canção. Coisas simples que nem sei. Que acontecem de repente. E que me cativa para sempre.
Amigos que eu fiz e que ainda faço. Que passam por mim. Um abraço de luz e de paixão. Capaz de abalar o mundo, dos que em nada crêem.

GALERIA DOS AMIGOS DO LÍTERO CULTURAL

01-ENO THEODORO WANKE – Em memória - Rio de Janeiro, RJ
02-NILTO MACIEL – Fortaleza, CE
03-ARTUR DA TÁVOLA – Rio de Janeiro, RJ
04-LEILA MÍCCOLIS – Maricá, RJ
05-OLGA SAVARY – Rio de Janeiro, RJ
06-RICARDO ALFAYA – Rio de Janeiro, RJ
07-ILMA FONTES – Aracaju, SE
08-ZANOTO – Varginha, MG
09-EMIL DE CASTRO – Mangaratiba, RJ
10-HUMBERTO DEL MAESTRO – Vitória, ES
11-RONALDO CAGIANO – Brasília, DF
12-AMÉLIA SPARANO – Rio de Janeiro, RJ
13-TERESINKA PEREIRA – Ohio, EUA
14-RAQUEL NAVEIRA – Campo Grande, MS
15-IACYR ANDERSON DE FREITAS – Juiz de Fora, MG
16-EDUARDO WAACK – Matão, SP
17-JOANYR DE OLIVEIRA – Brasília, DF
18-ANÍBAL BEÇA – Manaus, AM
19-FLÁVIO RUBENS – Rio de Janeiro, RJ
20-FERNANDO PY – Rio de Janeiro, RJ
21-ANNA GUASQUE – Rio e Janeiro, RJ
22-ASTRID CABRAL – Rio de Janeiro, RJ
23-ANDERSON BRAGA HORTA – Brasília, DF
24-IRINEU VOLPATO – Santa Bárbara do Oeste, SP
25-MÁRCIO CATUNDA – Brasília, DF
26-SALOMÃO SOUZA – Brasília, DF
27-CARLOS NEJAR – Guarapari, ES
28-HENRIQUES DO CERRO AZUL – Brasília, DF
29-GLENDA MAIER – Rio de Janeiro, RJ
30-FRANCISCO DE ASSIS NASCIMENTO – Goiânia, GO
31-JACK RUBENS – Em memória -Porto Alegre, RS
32-SÉRGIO GERÔNIMO – Rio de Janeiro, RJ
33-ALICE SPÍNDOLA – Goiânia, GO
34-JORGE TUFIC – Fortaleza, CE
35-JEAN-PAUL MESTAS – Vichy, França
36-AFONSO FÉLIX DE SOUZA – Em memória -Rio de Janeiro, RJ
37-NEIDE ARCHANJO – Rio de Janeiro, RJ
38-STELLA LEONARDOS – Rio de Janeiro, RJ
39-ARICY CURVELLO – Serra, ES
40-FLÁVIA SAVARY – Teresópolis, RJ
41-EMANUEL MEDEIROS VIEIRA – Brasília, DF
42-TOBIAS PINHEIRO – Rio de Janeiro, RJ
43-MIGUEL BARBOSA – Lisboa, Portugal
44-REYNALDO VALINHO ALVAREZ – Rio de Janeiro, RJ
45-ASCENDINO LEITE – João Pessoa, PB
46-GILBERTO MENDONÇA TELES – Rio de Janeiro, RJ
47-ILDÁSIO TAVARES – Salvador, BA
48-TANUSSI CARDOSO – Rio de Janeiro, RJ
49-ALCIDES BUSS – Florianópolis, SC
50-JOSÉ BATISTA DE LIMA – Fortaleza, CE
51-BEATRIZ ALCÂNTARA – Fortaleza, CE
52-IVES GANDRA DA SILVA MARTINS – São Paulo, SP
53-ALUYSIO MENDONÇA SAMPAIO – São Paulo, SP
54-MARIAZINHA CONGÍLIO – Em memória - Jundiaí, SP
55-JOSÉ MENDONÇA TELES – Goiânia, GO
56-CAIO PORFÍRIO CARNEIRO – São Paulo, SP
57- ARTUR BARTELMESS – Curitiba, PR
58-IZACYL GUIMARÃES FERREIRA – São Paulo, SP
59-SONIA SALES – São Paulo, SP
60-JOSÉ NÊUMANNE PINTO – São Paulo, SP
61-WALDIR RIBEIRO DO VAL – Rio de Janeiro, RJ.

ENO THEODORO WANKE
RIO DE JANEIRO / RJ
Ponta Grossa, PR – 23 / 06 / 1929 – Rio de Janeiro, RJ – 28 / 05 / 2001.
Diplomado em Engenharia Civil, Refinação de Petróleo e Administração.
Romancista, contista, poeta, trovador, sonetista, haicaista,tradutor, antologista, biógrafo,
pesquisador, ensaísta, historiador, folclorista,
estudioso da língua, mestre de metrificação, clequista, frasista, cronista, dicionarista,
bibliógrafo, minicontista, fabulista, polemista, prefaciador, memorialista e palindromista.
1ª participação no Lítero Cultural : 12 / 12 / 1991.
Selmo, você está de parabéns, presta valioso trabalho à cultura deste País, tão pobre em cultura.

OBSERVAÇÃO

É preciso
Um cuidado espantoso,
uma vida inteira de atenção,
um amor infinito cultivado em si
para poder-se,
devagarinho, ouvir a
( podemos chamar de música ? )
a música
do abrir das rosas.

NILTO MACIEL
FORTALEZA / CE
Baturité, CE – 30 / 01 / 1945.
Graduado em Direito. Editor da revista Literatura .
Romancista, contista, cronista, poeta, novelista e ensaísta.
1ª participação no Lítero Cultural : 06 / 02 / 1992.
Obrigado pela divulgação de meu nome em sua página no jornal.

NAVEGADOR

Meus olhos cegos, que não vêem naves,
navegam pelos mares das tormentas
-perdidos barcos, rotos, sem timão.

Meus olhos mudos só vislumbram vagas,
doida babel de tempestades feita,
monstros marinhos, oceano largo.

Meus olhos surdos só conseguem ver
cantos de dor, de morte e solidão,
a minha própria imensidão de ser.

ARTUR DA TÁVOLA
RIO DE JANEIRO / RJ
Rio de Janeiro, RJ – 03 / 01 / 1936.
Graduado em Direito, especialista em Educação.
Político, jornalista, professor.
Cronista, contista, poeta, crítico, ensaísta e biógrafo.
1ª participação no Lítero Cultural : 30 / 07 / 1992.
A excelência do seu trabalho ratifica-se cada edição, razão pela qual me distingue e gratifica estar incluído entre os colaboradores desse Suplemento.

LABIRINTO

Penso aquém do que alcanço
Alcanço além do que sei
Sei menos do que posso
Posso aquém do que adivinho
Adivinho além do que conheço
Conheço menos do que intuo
Intuo tanto quanto imagino
Imagino mais do que verbalizo
Verbalizo aquém do que percebo
Percebo menos do que se revela.

LEILA MÍCCOLIS
MARICÁ / RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 01 / 01 / 1947.
Graduada em Direito.
Jornalista, radialista, editora do jornal Blocos.
Poeta, trovadora, novelista, contista, cronista, teatróloga, roteirista, ensaísta, crítica e declamadora.
1ª participação no Lítero Cultural : 08 / 10 / 1992.
Muito grata pelo envio de suas colunas, que tanto aprecio. Você é um grande batalhador da nossa cultura.

COMBATES ANÔNIMOS

Ao amigo João Carneiro, poeta português falecido.

Replantar dos fatos heróicos
suas invisíveis raízes de cristal;
no terreno pessoal
colher a flor ou o espinho do primeiro gesto;
e a cada geada
carpir o verso reverso e luto
de nossas recordações.

OLGA SAVARY
RIO DE JANEIRO / RJ.
Belém, PA – 21 / 05 / 1933.
Poeta, contista, romancista, crítica, ensaísta, tradutora, desenhista, ilustradora, antologista, prefaciadora e apresentadora. Jornalista.
1ª participação no Lítero Cultural : 22 / 10 / 1993.
Obrigada sempre por tudo, pelas gentilezas fraternas.

VIDA
Eu era menor que meu amor.
Volta à cidade o nome antigo
( São Petersburgo ), vela e nau,
porto e naufrágio, místico ateu,
lobo e cordeiro, nave que parte
e ancora.
Como reger o tempo
se logo se faz noite
e já não é dia
sob esta verdade :
quando falo de um lugar
pelo menos no lembrar
o lugar já não existe,
quando falo de alguém
este alguém já está morto ?
Então que amor é este amor
e vida ? Uma ilha,
solidão e matilha ?

RICARDO ALFAYA
RIO DE JANEIRO / RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 8 / 8 / 1953.
Diplomado em Direito e Comunicação Social.
Editor do jornal cultural impresso e eletrônico NOZARTE.
Poeta, contista e ensaísta.
1ª participação no Lítero Cultural : 06 / 05 / 1994.
Com muita satisfação recebi os dois exemplares de Lítero Cultural. Agradeço muito a divulgação feita.

A QUEDA DO SISTEMA

Digite sua senha !
Digite sua senha !
Digite sua senha !

Desista
Máquina infernal !
É privilégio do poeta
O saber
Da
secretíssima palavra !

ILMA FONTES
ARACAJU / SE.
Aracaju, SE – 10 / 04 / 1947.
Diplomada em Medicina.
Professora, jornalista, editora e diretora do jornal O CAPITAL.
Romancista, teatróloga, contista, poetisa, crítica e roteirista.
1ª participação no Lítero Cultural ; 07 / 07 / 1994.
É com enorme felicidade que lhe envio o Certificado de Resistência ao Ordinário que há tanto tempo você vem fazendo por merecer.

Eu vi a soberba do Bispo
A arrogância do Arcebispo
A humildade contrita do povo
A corrente de reza das beatas
A ala dos homens de boa vontade
As filhas virgens de Maria
A massa católica em procissão
Transida nos mistérios da oração
Urdindo a salvação pela fé
Todos de roupa nova
... Cristo nu.

ZANOTO
VARGINHA / MG.
Guru da Rede Alternativa da Literatura Brasileira.
Jornalista e editor da página literária Diversos Caminhos.
Poeta.
1ª participação no Lítero Cultural : 29 / 07 / 1994.
Trata de um trabalho muito bem feito, em que, além da literatura e poesia. As pessoas são valorizadíssimas.

Lá fora
Entre mágoas comuns,
Talvez mais pungentes;
Sob o plenilúnio,
Dos arvoredos, do bosque,
Das rochas,
Dos insetos iluminados,
Levitam meus sonhos,
Enquanto a lua participa
Da festa colorida das estrelas.

EMIL DE CASTRO
MANGARATIBA / RJ.
Mangaratiba, RJ – 07 / 11 / 1941
Diplomado em Direito.
Professor e político ( como Prefeito, dando ênfase à Cultura e a Educação. )
Poeta, contista, ensaísta, novelista e historiador.
1ª participação no Lítero Cultural : 13 / 01 / 1995.
Cumprimento-o pelo trabalho que vem desenvolvendo por nossa cultura brasileira.

RETRATOS

Estes retratos que transporto
não são meus, não são bem retratos.
Apenas memórias das coisas que amei
e que amando-as fiz-me ausência
neste galopar de madrugada que se esvai.

São vultos da infância, não são rostos.
Mas restos de mim que me procuro em vão.

HUMBERTO DEL MAESTRO
VITÓRIA / ES.
Vitória, ES – 27 / 03 / 1938.
Poeta, cronista, contista, ensaísta, teatrólogo crítico e ator.
Bancário.
1ª participação no Litero Cultural : 27 / 01 / 1995.
Sem receio de cometer uma injustiça, é uma das melhores publicações sobre literatura, no momento em todo o Brasil.

ESTA MÃO

Esta mão, esta mão falaciosa
Que pôs à luz do mundo os meus pecados,
Que acompanhou os atos impensados
Da minha mocidade viciosa.

Esta mão desordeira e criminosa,
Prova cabal do meu vulgar passado,
Vem escrever seu último recado
A muita mão que existe duvidosa.

Esta mão, triste mão, amigo, vede,
Quantas vezes matou a sua sede
Em fonte de completa negridão.

E esta mão que foi dona da miséria,
Ao se afastar da garra deletéria,
É a mesma que hoje aos céus clama perdão.

RONALDO CAGIANO
BRASÍLIA / DF.
Cataguases, MG – 15 / 04 / 1961.
Diplomado em Direito.
Poeta, escritor, ensaísta, contista, crítico.
1ª participação no Lítero Cultural : 17 / 02 / 1995.
Você tem recolhido a produção de tanto brasis; abrindo a porta a um fabuloso intercâmbio. Sou-lhe grato por nos dar esse apoio.

POEMEU PARA ELA

Corpo carpindo silêncios
Para a medida de todas as coisas.

Carne latejante
( onde Eros, Psique ou Thanatos ? )
Ante a fúria de nirvanas.

Lascívia intentando caminhos
Nesses escaninhos
De suor e desejos.

Do coração nada se sabe,
Senão que o resto lhe é servil e escrachado...

AMÉLIA SPARANO
RIO DE JANEIRO / RJ.
Turim, Itália, naturalizada brasileira ( 1950 ) –
17 / 08 / 1912.
Romancista, contista, ensaísta, poetisa e tradutora.
1ª participação no Lítero Cultural : 10 / 03 / 1995.
Surpresa e lisonjeada recebo Momento Lítero Cultural, página interessante do jornal Alto Madeira, que você dirige. Sinto-me de repente, próxima de Porto Velho. Agora deixa de ser abstrata geografia, um pontinho no mapa deste imenso Brasil.

AREIA

Nos olhos a praia inteira.
Na não punhado de areia.
Na mão punhados de sonhos.
Mão cheia,
mão vazia.
Vida, sonhos e sonhos...
Punhado que se esvazia.

TERESINKA PEREIRA
OHIO, EUA
Nasceu em Belo Horizonte, MG.
Diplomada em Filosofia. Dra. Filosofia.
Poeta, contista, teatróloga, ensaísta, tradutora.
1ª participação no Lítero Cultural : 31 / 03 / 1995.
Seu trabalho é muito apreciado em todo o mundo !

POEMA DE CHEGADA

Vim da pele das arvores
fazer tempestade
no coração do tempo.

Meu lápis é arma sutil
e minha saudade de aço
rompe os muros da origem.

Vim subindo serra,
olhando mares fecundo
e as minhas palmeiras da minha terra.

Vim contar os segredos,
vim escutar as queixas,
vim buscar a esperança.

RAQUEL NAVEIRA
CAMPO GRANDE, MS.
Campo Grande, MS – 23 / 09 / 1957.
Diplomada em Direito e Letras. Mestre em Comunicação e Letras.
Poetisa, ensaísta, autora de livro infanto-juvenil.
1ª participação no Lítero Cultural : 01 / 04 / 1995.
Que você continue desenvolvendo o seu generoso trabalho em prol da literatura.

TÚMULO DE PRINCESA

Acordarei à meia-noite
No meu túmulo de princesa :
Velas acesas
Ouro cintilando
Por toda a parte.

Precisarei de um barco
Com uma flor de lótus na proa;
De um vaso de alabastro
Com essência oleosa e boa
E, para minha proteção,
De uma leoa.

À meia-noite.

IACYR ANDERSON DE FREITAS
JUIZ DE FORA / MG.
Patrocínio do Muriaé, MG – 24 / 09 / 1963.
Diplomado em Engenharia Civil, Mestrado em Letras.
Poeta, ensaísta, cronista, contista.
1ª participação no Lítero Cultural : 26 / 05 / 1995.

TAMBÉM

não bastasse
essa terra sem memória
que nenhum trabalho
absorve

as chuvas vêm aqui
para beber de nosso espanto
acaso negamos ?

não :
também fomos bebidos pelos anos

EDUARDO WAACK
MATÃO, SP.
Londrina, PR – 05 / 03 / 1964.
Poeta, cronista. Editor do jornal O BOÊMIO.
1ª participação no Lítero Cultural : 29 / 07 / 1995.
Um dos mais tradicionais bastiões da resistência poética em nosso país. Já marcou história na literatura brasileira.

NÃO DESCOBRI O AMOR

não descobri o amor
quando ele se apresentava.
sequer mencionei seu nome
aos amigos mais íntimos.

corri todos os riscos
sem sair do lugar. Viajei planetas
superpovoados e a melancolia
das tardes vazias.

dissecava o solo, arrancando
as raízes do pensamento organizado.
não mencionei seu nome misterioso
mesmo assim o eco, das palavras.

prisioneiro, eclodia num sussurro.
breve arrepio de saber-se perdido
enquanto a noite avança, o peito pesa
e uma revolução definha paciente.

JOANYR DE OLIVEIRA
BRASÍLIA / DF.
Aimorés, MG – 06 / 12 / 1933.
Diplomado em Direito. Jornalista.
Poeta, cronista, contista, antologista.
1ª participação no Lítero Cultural : 16 / 09 / 1995.
Sua página cultural muito bem feita. Continue seu belo trabalho aí em Porto Velho.

EPITÁFIO

Os casulos do silêncio
recolhem meu rosto,
meu canto e meu nome.

Entre arcanjos e estrelas,
minha essência navega
o esplendor dos milênios.

Doce é o sabor do infinito.

ANÍBAL BEÇA
MANAUS, AM.
Manaus, AM – 13 / 09 / 1946.
Jornalista. Conferencista Cultural.
Poeta, tradutor, compositor, teatrólogo, artista plástico, ator, músico.
1ª participação no Lítero Cultural : 01 / 11 / 1995.

BOLERO DAS ÁGUAS

O passo no compasso dois por quatro
acode meu suplício de afogado
afastando de mim sedento cálice
em submerso bolero de águas tantas.
A sede dança seca na garganta
curtindo signos, fala ressequida
para a língua de couro, lixa tântala,
alisando palavras rebuçadas.
Quanto alfenim no alfanje que se enfeita
para montar as ancas de égua moura.
Lábia flamenca lambe leve as oiças,
é rito muezin ditando a dança :
no dois pra cá me levo em dois pra lá,
nas águas do regaço vou-me e lavo-me.

FLÁVIO RUBENS
RIO DE JANEIRO / RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 15 / 01 / 1931.
Poeta, cronista, ficcionista.
1ª participação no Lítero Cultural : 06 / 01 /1996.
Acuso recebimento página literária do seu conceituado jornal.

A JANELA

Da janela do meu quarto
vejo o mundo em minhas mãos
é como se houvesse um Deus
caminhando entre os irmãos.

Quando a fecho sinto a vida
no calor dos que são meus.

Viva Deus e viva a vida
que fazem do meu olhar
janela da própria vida.

FERNANDO PY
PETRÓPOLIS / RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 13 / 06 / 1935.
Diplomado em Direito.
Poeta, ensaísta, crítico, tradutor.
1ª participação no Lítero Cultural : 08 / 06 / 1996.
Muito obrigado pela entrevista.

FUI EU

Fui eu esse menino que me espia
-melancólico olhar, sereno rosto,
postura fixa e o todo bem composto-
no retrato que o tempo desafia.

Fui eu na minha infância fugidia
de prazeres ingênuos, e o desgosto
de sentir tão efêmera a alegria
bem depressa trocada em seu oposto.

Fui eu, sim; mas o tempo que perpassa
e tudo altera nem sequer deixou
um grão de infância feito esmola escassa.

Fui eu : e na figura só ficou
o olhar desenganado, na fumaça
em que a criança inteira se mudou.

ANNA GUASQUE
RIO DE JANEIRO / RJ.
Nasceu em Manaus, AM.
Jornalista.
Poetisa, romancista, ensaísta, contista, cronista, conferencista, artista plástica.
1ª participação no Lítero Cultural : 14 / 06 / 1996.
Ao muito caro Selmo Vasconcellos. Demos nome de empatia ao nosso encontro de Letras. As letras já não traduzem o que chamamos amizade. Representa-lo na UBE/RJ é honra de madrinha. Madrinha acalanta ao regaço o talento merecedor do registro no perene do carinho e da emoção. Sinceramente honrada.
Você herói, ponta de lança de guerreiro pela cultura, em nosso país em desespero econômico.

SOLIDÃO

Alegre encontro
estua lá
no onde
vivo
do meu ser
por cá.
Lá não estarei
e por cá não fico
se pensar
no que farei.
Se por lá for
é desengano
enfim.
A solidão
ofusca de mim
no tempo do talvez
meus olhos
a brilhar na vez...
No meu cá sozinha
as favas conto.
Debulho milho
e reconto.
Dedilho teclas.
desponto.
Horas cantando
desse passar
meu e só
do mim
que sou eu
fiz meu canto.

ASTRID CABRAL
RIO DE JANEIRO / RJ.
Manaus, AM – 25 / 09 / 1936.
Formada em Letras Neolatinas.
Poeta, crítica, contista, tradutora.
1ª participação no Lítero Cultural : 14 / 06 / 1996.
Creia em nossa admiração por eu trabalho e sua generosidade.

A SAGRADA GARRA

Que dizer de nossos embargos
e górdios nós na garganta ?
de nossos tropeços e passos
em falso por tantos percalços ?
Como não invejar os deuses
de intactas unhas e mãos
sem calo seus dentes sem
cáries seus ventres sem fome ?
Como em cárceres calendários
não clamar por tempo absoluto ?
Como em escasso espaço de réu
não cobiçar céus de amplos olimpos ?
Que fazer então deste nosso corpo
tão suado e surrado de tempo
ante incorpóreas formas eternas
senão proclamar-lhe a bravura
da crua existência e a sagrada
garra contra a sorte adversa ?

ANDERSON BRAGA HORTA
BRASÍLIA / DF.
Carangola, MG – 17 / 11 / 1934.
Diplomado em Direito.
Poeta, contista, cronista, ensaísta, crítico, tradutor.
1ª participação no Lítero Cultural : 21 / 06 / 1996.
Obrigado pela honrosa entrevista.

SACRIFÍCIO

A noite, casulo, nutre
de seivas de névoa e lua
o canto dos galos, vértice
recolhido ainda.
Nitrem
os cavalos de prata na campina,
riscam faíscas com o fuzil dos cascos.
Grávida
de sua morte, trêmula
dos arautos que acende, fúsil noite
que vai morrer de luz na madrugada.

IRINEU VOLPATO
SANTA BÁRBARA DO OESTE / SP.
Piracicaba, SP – 12 / 11 / 1933.
Formado em Administração.
Poeta, ensaísta, tradutor.
1ª participação no Lítero Cultural : 19 / 07 / 1996.
A sua elegância é tamanha que só usa sua página para terceiros ( contrariando a maioria dos editores que recheiam os espaços que sobram com terceiros, mas antes os seus.

torceu esquinas de estradas
por pontos nadas da vida

soprou piston clarineta
em banda de povoado
alma contente em sons

devolveu sua liberdade
a par duns olhos menina
dês aí eitou veredas

MÁRCIO CATUNDA
BRASÍLIA / DF.
Fortaleza, CE – 22 / 05 / 1957
Diplomado em Direito, Diplomacia e Letras.
Poeta, compositor, tradutor, escritor.
1ª participação no Lítero Cultural : 26 / 07 / 1996.
Venho agradecer-lhe pela gentileza da fabulosa reportagem que publicou a meu respeito, com belas fotos e um destaque surpreendente. É uma prova de amizade e generosidade sua.

CIÊNCIA

Cantarei aos povos do mundo inteiro,
beijarei a face da eternidade,
cantarei meu poema verdadeiro
quando eu for a luz pura da verdade.
Quando eu for pra mim mesmo um justiceiro,
quando em mim o amor for todo humildade,
só então eu serei um mensageiro
da doutrina que une a humanidade.
Quando tudo em meu ser for só beleza,
quando a paz de Deus refletir em mim,
nascerão tantas flores do jardim,
que eu serei jardineiro da pureza,
eu serei uma parte da grandeza
da perfeita união que não tem fim.

SALOMÃO SOUZA
BRASÍLIA, DF.
Vianópolis, go – 19 / 09 / 1952.
Diplomado em Comunicação Social.
Poeta, antologista, crítico.
1ª participação no Lítero Cultural : 15e16/11/1996.
Mandamos material e Selmo publicou diversos poemas de nossa autoria, em várias edições do jornal.

Sem só um emplasto
sobre uma pele
Sem só um ungoento
de sugar a maldade
Sem só um casco
sobre o molusco
Deixá-lo ávido e limpo
-corpo para o melhor desejo.

CARLOS NEJAR
GUARAPARI, ES.
Nasceu em Porto Alegre, RS.
Diplomado em Direito.
Membro da Academia Brasileira de Letras.
Poeta, ficcionista, ensaísta, romancista, contista.
1ª participação no Lítero Cultural : 25 / 04 / 1997.
Muito grato pela publicação de “Sonata para Elza.”

OS MORTOS – EU OS VI – NA PRIMAVERA

Os mortos – eu os vi – na primavera.
Ressurgiam dos corpos. Eu os vi.
A primavera começava neles
e terminava onde a alma estava.

Os mortos – eu os vi – iam descalços
na primavera, iam libertados.
Nada tolhia, nada separava
os pés das coisas vivas.

Os mortos – eu os vi – não tinham rosto
nem nome. Eram muitos.
Num só se acrescentavam.
Eram muitos e vivos. Perguntei-lhes
por onde a primavera se alongava.

Os mortos – eu os vi – na primavera.
O sol dobrava neles os seus frutos.

O sol entrava neles. Eram larvas.

HENRIQUES DO CERRO AZUL
BRASÌLA, DF.
Fortaleza, CE – 04 / 01 / 1936.
Diplomado em Direito. Sub-Procurador da República.
Poeta, ensaísta, crítico.
1ª participação no Lítero Cultural : 08 / 01 / 1998.
Selmo Vasconcellos a quem a cultura brasileira deve tanto.

É ASSIM QUE EU AMO ...

Se amar e ter o pensamento e a vida
Voltados para um ser unicamente;
Se é em convulsões a alma acendida
Num doce anseio e num desejo ardente;

Se é dar sem receber; se é ter em mente
Por toda a longa estrada percorrida,
Alguém, talvez, que nem sequer pressente
Nossa amarga afeição desconhecida...

Se é chorar, se é sofrer sem ter tormento;
Se é sorrir, se é gozar sem ter motivo;
Beijar as flores, abraçar o vento,

E as aves escutar de ramo em ramo:-
Amada, eu te direi que é assim que vivo...
Mas, se não for amor, é assim que eu amo !

GLENDA MAIER
RIO DE JANEIRO, RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 9 / 02 / 1946.
Diplomada em Sociologia
Poeta, contista, cronista.
1ª participação no Lítero Cultural : 19 / 08 / 1994.
Não vou parar nunca de sentir alegria ao saber que eu, um serzinho escondido aqui em Jacarepaguá, tenho amigos e sou lida em Rondônia. Realmente não há forma de comunicação melhor que as artes.

INTEGRAÇÃO

Por um momento percebi
que pétalas de flores
no asfalto
são muitos parecidas
com estrelas
No infinito do Universo.

FRANCISCO DE ASSIS NASCIMENTO
GOIÂNIA GO.
Nasceu em Santa Cruz, GO.
Poeta, contista, cronista, antologista, crítico, artista plástico.
Jornalista e Editor do FRANCISLETRAS.
1ª participação no Lítero Cultural : 17 / 02 / 1995.
Sou fã incondicional da sua coluna Lítero Cultural, cada vez melhor e divulgando os valores internacionais, nacionais e locais.

FANTASIA

Não é de rosa e nem de espinho
Acostumei-me mais sozinho
Há pombos nascendo e outros morrendo
Papéis desaparecendo e outros se acendendo
A cinza voa ao vento,
A relva povoa ao relento,
O azul inatingível ao alto,
O pó atingível, não falto
À fantasia que fascina
No frustrar e o sonho ensina.

JACK RUBENS
PORTO ALEGRE, RS.
Pelotas, RS – 01 / 09 / 1918 – Porto Alegre, RS – 04 / 09 / 1996.
Diplomado em Jornalismo. Radialista, publicitário, Relações Públicas. Poeta.
Dirigiu a página literária no jornal Tal & Qual.
1ª participação no Lítero Cultural : 01 / 04 / 1995.
O teu saudoso amigo está na pior. 5/8/1996.

ALGOZ

prendeste as
algemas
nos meus pulsos
rasgaste meus versos
calaste minha voz...
ergueste o muro
firmaste as grades
apagaste a luz...
vê se podes agora
com o poder
da tua força
e a histeria
do teu medo
aprisionar o meu sonho
que cavalga livre
num raio de luar.

SÉRGIO GERÔNIMO
RIO E JANEIRO, RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 25 / 05 / 1952.
Diplomado AMAN, Mestrado Ciências Militares e Psicologia.
Poeta, contista, ensaísta e editor de OFICINA.
1ª participação no Lítero Cultural : 12 / 08 / 1995.

MÃOS

A rua aprofundava certezas
Ambulantes
Tudo
Meio homem meio mulher
Todo toda
A esquina viagem aberta
Acenava encontros
Quero mãos de pelica
Na minha película fina
Que é crepe drapeado plissado
Cirrê pelúcia bichinho único
Meu prazer.

ALICE SPÍNDOLA
GOIÂNIA, GO.
Nasceu em Nova Ponte, MG.
Diplomada em Letras.
Poeta, contista, tradutora e artista plástica.
1ª participação no Lítero Cultural : 06 / 03 / 1998.
Selmo, estimado amigo, parabéns pelo importante título de Sócio Correspondente da União Brasileira e Escritores do Estado do Rio de Janeiro. Você merece.

IMORTALIDADE

A palavra anda de carona
nas asas da borboleta,
salta para o tapume,
depois para o topo da escada.

Na carona da palavra,
transcendo a luta
contra a vida e a morte
num sopro de eternidade.

JORGE TUFIC
FORTALEZA, CE.
Sena Madureira, AC – 13 / 08 / 1930.
Poeta, ensaísta, cronista, contista.
1ª participação no Lítero Cultural : 06 / 03 / 1998.

BIOPOEMA

Minha célula nervosa
é uma árvore espantada.
Cada um mínimo de mim
resulta numa teoria,
num gráfico, num diagrama.
Meu corpo obedece
a um sistema infalível
de códigos e reproduções.
E eu vivo a fugir
de tudo que não seja
caos e madrugada.

JEAN-PAUL MESTAS
VICHY, FRANÇA.
Paris, França – 15 / 11 / 1925.
Poeta, escritor, tradutor, crítico, ensaísta, conferencista. Editor da Revista “JALONS” - Cahiers de Poesie – com sua esposa Christianne Mestas.
1ª participação no Lítero Cultural : 24 / 07 / 1998.
É uma excepcional surpresa que ofereceres por Christiane e por eu em a página 2 do “Momento” do 3 de abril de 1999. O testemunho vem do coração e dá uma grande emoção.

RECUSA

Há instantes
que os espelhos não querem.
O exemplo ocupa as varandas
onde as mulheres parecem escorregar
através de uma nuvem
e a anca florida
como o cristal do espaço
absorvido pelo cheiro
indefinível que vem
de sítios sobre os quais se engana.

AFONSO FÉLIX DE SOUZA
RIO DE JANEIRO, RJ.
Jaraguá, GO – 05 / 07 / 1925 – Rio de Janeiro, RJ – 07 / 09 / 2002.
Diplomado em Economia. Especialização na Sorbonne, França.
Poeta, cronista, tradutor, teatrólogo.
1ª participação no Lítero Cultural : 26 / 03 / 1999.

PONTO DE CRUZ
A Astrid

De ponto a ponto, a cruz, e em contraponto
á cruz, de um ponto a outro, a cruz conduz
a vida como à de um inseto pronto
a projetar-se no âmago da luz.

De ponto a ponto a cruz tem por confronto
a vida por um fio, e assim reduz
a visão do real a um olhar tonto
a se ocultar em si feito a avestruz.

Um ponto, e a cruz; a cruz, e um ponto em treva
arranca à fala e à dor ais e reclamos,
e da cruz outro canto é que se eleva.

a um ponto em luz... Esposa e musa, vamos
crave em meu peito a cruz que a um ponto leva,
que o ponto é voz da cruz que carregamos.


NEIDE ARCHANJO
RIO DE JANEIRO, RJ.
Nasceu em São Paulo, SP - 15 / 09 / 1940.
Formada em Direito e Psicologia.
Poeta.
1ª participação no Lítero Cultural : 18 / 06 / 1999.
Fiquei feliz em estar finalmente entronizada na “ Galeria dos Amigos”. Obrigada pelo carinho. Parabéns pelo lindo trabalho que você vem desenvolvendo à gente do jornal. A distância geográfica nos separa, mas o amor à poesia e à literatura, em geral, aproxima os semelhantes.

ÁGUAS E MARES

Porque sendo água
por fora
As palavras são mares
Por dentro.

NEIDE ARCHANJO
O TEMPO

Chamo Rilke ou Pessoa
posto que estou derivando
à toa.

Ninguém me acode
nestes versos
onde uma paixão
me amaldiçoa.

Dela resta uma coisa dura
que o tempo perpetua.

STELLA LEONARDOS
RIO DE JANEIRO, RJ.
Nasceu no Rio de Janeiro, RJ- 01/08/1923.
Formada em Línguas Neolatinas.
Poeta, ensaísta, romancista, tradutora, autora de livro infanto-juvenil.
1ª participação no Lítero Cultural : 02 / 07 / 1999.
Querido amigo, fiquei até comovida com seu maravilhoso presente, inesperado, inesquecível presente. Aquela divulgação no Lítero Cultural. Deus o abençoe. Você é admirável cultor literário.

CIGANA DO ACALANTO

Linda, linda, minha linda,
menina minha calin :
fecha os olhinhos, chavina.

O sol do rosto encarnado
já foi se deitar, menina.
duvêla cara de prata
ergue a candeia, lá em cima.

Sono, sono, vem de manso,
traz sonho à minha calin,
e que ela acorde amanhã
a mais feliz das chavinas.
Lindre, lindre. Sono vindo.
sono abraça a mãe calin,
beija os olhos da menina.

Calin - cigana
Chavina – filha
Duvêla – lua
Lindre – sono ( dialeto calon )

ARICY CURVELLO
SERRA, ES.
Triângulo, MG – 07 / 05 / 1945.
Diplomado em Direito e História.
Poeta, ensaísta, contista, tradutor.
1ª participação no Lítero Cultural : 02 / 07 / 1999.
Ficou muito boa a montagem que você fez com as fotos e os textos. Meus parabéns.

INSCIÊNCIA

não faças perguntas ao poema.
palavras são sua matéria apenas.
todas as palavras,
talvez acasos, talvez atrozes.
este, aquele momento
na perseguição ao vento.
e em conjunção uma estranha luz se ajunta
ao que é sem retorno e sem recuperação,
qual um dia sem lembrança é tão distante.
será, tudo será outro para sempre,
perante a extrema solidão do poema.

FLÁVIA SAVARY
TERESÓPOLIS, RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 11 / 09 / 1956.
Formada em Letras ( Português e Inglês ).
Poetisa, contista, cronista, autora de livros infanto-juvenil, autora de peças teatrais, ilustradora, artista plástica, programadora visual, produtora teatral, palestrante.
1ª participação no Lítero Cultural : 10 / 09 / 1999.
Parabéns por seu trabalho de divulgação da cultura.

NO CÉU, COMO NA TERRA

Nas águas do igarapé
um céu à parte :
com nuvens de barro,
movidos de botos.
reflexo dos ventos
são as ondas domesticadas
entre margens.
lavadeiras são garças,
boeings são canoas,
só que à toa,
como convém a quem sonha
-espelho às avessas
de um tempo sem pressa.

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA
BRASÍLIA, DF.
Florianópolis, SC – 31 / 03 / 1945.
Diplomado em Direito. Jornalista.
Contista, poeta, novelista, crítico cinematográfico.
1ª participação no Lítero Cultural : 01 / 10 / 1999.

PAI

Meu pai cavalgava abraçado à sua dor oculta.
No crepúsculo : só, na soleira da porta
( cadeira de balanço, boina, olhar azul ).

Antes do assobio da Inelutável, foi para a montanha.
Como um elefante em despedida, quis morrer sozinho.
Quando chegar a hora, farei como meu pai :
Subirei a montanha
( cajado, água fresca no cantil ).


Agarrado à outra dor ( à luz )
Inconclusa.

TOBIAS PINHEIRO
RIO DE JANEIRO, RJ.
Brejo, MA – 04 / 07 / 1926.
Jornalista. Poeta, trovador. Escritor.
1ª participação no Lítero Cultural : 29 / 10 / 1999.
Você é um daqueles que têm altar no meu coração. Use e abuse de minhas colaborações. Já passei por muitas barreiras e sei a sua luta aí na Imprensa.

ORAÇÃO DOS INJUSTIÇADOS

Senhor, afasta do meu caminho
os juízes que não têm toga
e não permitas, ó Pai,
que as togas sejam usadas
pelos que não sabem julgar.

TOBIAS PINHEIRO
TROVA

Pai, agradeço o destino
de crer no Teu Evangelho,
sentir-me ainda um menino
com as aparências de um velho.

MIGUEL BARBOSA
LISBOA, PORTUGAL.
Lisboa, Portugal – 23 / 11 / 1925.
Licenciado em Ciências Econômicas e financeiras.
Poeta, desenhista, autor de peças teatrais, crítico, novelista, contista, romancista, artista plástico.
1ª participação no Lítero Cultural : 14 / 04 / 2000.
Com um abraço de muita estima e admiração poética e literária.

O COLIBRI

dentro de uma chama
de betão
em que os Ciclopes
destroem a Natureza
com um único olho na testa
como o inútil vôo de um grifo
debatendo-se numa gaiola dourada
há ainda um desbocado colibri
de pedra
que vem beber
na chafarica da travessa
do Corpo de Deus
a ilusão de uma Lisboa
na sua própria ausência.

REYNALDO VALINHO ALVAREZ
RIO DE JANEIRO, RJ.
Rio de Janeiro, RJ – 06 / 01 / 1931.
Formado em Letras, Ciências Econômicas, Administração, Direito. Jornalista.
Poeta, contista, romancista, ensaísta, novelista.
1ª participação no Lítero Cultural : 14 / 04 / 2000.
Agradeço a excelente divulgação que você proporcionou às duas coletâneas e reconheço nesse gesto um apoio meritório e dedicado à poesia brasileira contemporânea, de modo desinteressado e sincero.

2.
não te apegues à paga que não tens
nem te humilhes em busca de outros bens

o que não foi ou não será marcou-te
com a solidão da noite e o seu açoite
******
5.
que sono há de marcar este momento ?
que punho há de golpear-te o rosto e o mento
ao roeres a raiz do pensamento ?
******
REYNALDO VALINHO ALVAREZ

O APOCALIPSE

Mataram-se por ódio ou ambição
esses que agora juncam o teu chão.

Breve o sol e os abutres lhes darão
o odor e a forma em que se plasma o caos.

Saíste a passear e agora tens
o retrato do horror diante de ti.

Ó e fumo de tantas explosões
ainda toldam o céu sobre as cidades.

Catas no lixo o resto de teus dias,
vividos junto aos teus e à tua mesa.

A catástrofe monta o apocalipse
e contas teus segundos em silêncio.

ASCENDINO LEITE
JOÃO PESSOA, PB.
Conceição de Piancó, PB – 21 / 06 / 1915.
Jornalista. Dirigiu a redação de vários jornais em São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados.
Escritor, crítico, ficcionista, romancista, memorialista.
1ª participação no Lítero Cultural : 28 / 04 / 2000.


FUGA

Alma transida
só recolhe
tristes segredos.

Bom que me ouça.
-Ah, deixa tudo
o que te dei.
De mim, bem sabes,
leva tudo. Tudinho,
até a chave !

Quero ficar fechado,
a vida inteira,
num verso cândido.

GILBERTO MENDONÇA TELES
RIO DE JANEIRO, RJ.
Bela Vista de Goiás, GO – 30 / 06 / 1931.
Diplomado em Letras, Direito. Livre Docente em Literatura Brasileira. Doutor em Letras.
Poeta, ensaísta, crítico.
1ª participação no Lítero Cultural : 28 / 04 / 2000.
Obrigado pela divulgação de meus poemas na sua bela página.

POEMA

Todas as coisas que mais desejo,
que mais se agitam dentro de mim,
todas as coisas que mais desejo
são tão esquivas que quando as vejo
estão no fim.

Se quero muito ficar sozinho
e silencioso, como convém,
há sempre um riso na boca amiga
e o tom alegre de uma cantiga
me leva além.

E o meu desejo procura a força
e o ritmo intenso do turbilhão,
alguém me pede, quase em surdina,
que eu me detenha sobre a campina
e escute a fala do próprio chão.

Todos me gritam que tudo é sempre
a mesma forma do mesmo beijo,
da mesma angústia, da mesma dor.

Como dizer-lhes que tudo é lindo,
se esta incerteza vai consumindo
todas as coisas que mais desejo,
com mais certeza, com mais amor ?

ILDÁSIO TAVARES
SALVADOR, BA.
Ubaitaba, BA- 25 / 01 / 1940.
Diplomado em Direito e Letras. Mestrado em Letras. Doutor. Pós-Doutor em Letras.
Poeta, contista, romancista, crítico, teatrólogo, cronista, tradutor, roteirista, letrista MPB.
1ª participação no Lítero Cultural : 24 / 06 / 2000.
Você é um Gentleman, escrever um artigo tão lisonjeiro e enviá-lo para mim. Grato. Gostei muito do jornal, bem diagramado, com matérias interessantes e o seu Lítero Cultural que além do mais traz o meu irmão Carlos Nejar. Grande abraço baiano.

O MEU TEMPO

Não existe hora certa, existe o meu relógio,
Lembrando sempre com seu tic-tac
Que há vida
Para ser vivida,
Que houve a vida
Que não se viveu.
Não importa que o rádio renitente ruja
São tal hora e tal minuto,
Hora oficial,
Afinal.
Que há de oficial em minha vida ?

Somente,

Quebrando a paz exata deste espaço,
Levando a mim à frente, sem retorno,
O tiquetaquear meu ser-serei,

Existe o meu relógio,-

Pulso falso,

Sensato solilóquio, lento certo

Que canta
O canto
Do tempo

Que é meu

TANUSSI CARDOSO
RIO DE JANEIRO, RJ.
Rio e Janeiro, RJ – 25 / 02 / 1946.
Diplomado em Jornalismo e Direito.
Poeta, contista, crítico.
1ª participação no Lítero Cultural : 21 / 07 / 2000.
Com orgulho, carinho e admiração pelo trabalho que vem empreendendo em prol de nossas poesias e literatura.

O NOME NO ESPELHO

Que nome sou eu ?
A quem habito no rosto diário ?
A quem respondo quando me pergunto ?
Que olhos me adentram ?
Que corpo é esta pele
E que ossos esta árvore doce e raivosa ?
Quem a mim me lê antes de mim ?

Coisa da coisa que não é – eis meu nome.

Dilúvio seco
Filtro sem ar
Fantasma abandonado
Susto
Medo

Que nome sou eu, senão fragmentos ?

ALCIDES BUSS
FLORIANÓPOLIS, SC.
Salete, SC – 14 / 08 / 1948.
Diplomado em Letras. Mestrado em Letras.
Poeta, ensaísta.
1ª participação no Lítero Cultural : 22 / 09 / 2000.
Foi uma satisfação receber os exemplares da página Lítero Cultural editada aí em Rondônia. O Brasil é isso tudo, tão grande que às vezes nos escapa. Temos a obrigação de conhecê-lo.

POEMA

Ponha um X no ar
e quatro gotas de sangue
no mar. Mande o corpo
sonhar.

Ou deixe tudo
como está.
menos este gosto de aurora
nas unhas da língua.

JOSÉ BATISTA DE LIMA
FORTALEZA, CE.
Lavras de Mangabeira, CE – 17 / 05 / 1949.
Diplomado em Letras e Pedagogia. Especialização em Teoria da Linguagem. Mestrado em Literatura.
Poeta. Editor do jornal O BINÓCULO.
1ª participação no Lítero Cultural : 26 / 01 / 2001.
A página é rica em trabalhos ( artigos, poesia, crítica, variedades ) de fecundo conteúdo mental e emocional.

LIÇÃO

Primeiro me condenei
porque falava
era o som da voz
estilhaçando raízes.
Depois me condenei
porque escrevia
era força do verbo
que fazia do verso
uma lamina só gume
que tanto feria aos outros
como a mim próprio.
Finalmente me encontrei
no mais profundo
monturo de silêncios
e vozes falaram
e palavras se escreviam.

BEATRIZ ALCÂNTARA
FORTALEZA, CE.
Nasceu em Fortaleza, CE.
Diplomada em Letras.
Poetisa, tradutora, ensaísta, antologista.
1ª participação no Lítero Cultural : 09 / 03 / 2001.

VER O MUNDO

Queria correr o mundo
com botas que não pesassem
e só depois de muito cansada
escorregar sentada
de encontro a um muro
a espiar o vulto do nada
e fechando os olhos
ficar apenas na fresca da tarde
a respirar
e não pensar.

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
SÃO PAULO, SP.
São Paulo, SP – 12 / 02 / 1935.
Diplomado em Direito. Doutor em Direito.
Poeta, romancista, crítico, roteirista, autor de obras didáticas e técnicas.
1ª participação no Lítero Cultural : 10 / 08 / 2001.
Grato pelo Destaque na sua página literária. Parabéns !

NAVEGAR

Naveguei pelo toque de teus lábios
Nos meus dedos de porto solitário,
Esquecido que o mapa dos mais sábios
Desconhecia o mar imaginário.

Naveguei, dirigido pelos astros
De teus dentes abertos para o espaço,
Enfunadas as velas destes mastros
Pela força de teu sorriso lasso.

Naveguei, despejando as velhas sondas
Que a terra medem pelo som da sorte,
Indo o barco, que eu tinha sobre as ondas
Buscando o cais meridional do Norte.

Naufraguei, todavia, em dois escolhos,
Encontrados no golfo de teus olhos.

ALUYSIO MENDONÇA SAMPAIO
SÃO PAULO, SP .
Aracaju, SE – 29 / 09 / 1926.
Diplomado em Direito.
Poeta, contista, cronista, romancista, ensaísta, radialista e editor da LB.
1ª participação no Lítero Cultural : 22 / 09 / 2001.

ESPERANÇA

De tanto pisar os caminhos do mundo
Os meus pés estão sangrando
E o meu coração ferido
Como o chão gretado.
Olhos fitos na distância
Avanço
Rumo à fímbria do horizonte
De meus lábios brota um canto
Como uma flor
Nascida no agreste de meu peito
Meu coração puro e livre
Como o canto que brota dos meus lábios
Ou o orvalho antes de tocar a terra.

MARIAZINHA CONGÍLIO
JUNDIAÍ, SP.
Planalto, SP – Jundiaí, SP- Jundiaí, SP-14/08/2004.
Diplomada em Letras, Direito e Pedagogia.
Poeta, cronista, teatróloga.
1ª participação no Lítero Cultural : 06 / 02 / 2002.
Parabéns, Selmo. É difícil manter uma página cultural num jornal – se tem matéria falta espaço e muita vê tem espaço falta matéria. Que a página continue por muitas dezenas de anos.

SUA MAJESTADE O TEMPO

Passamos pelo tempo
docemente
enquanto ele fica a esperar
gente que nasce
vive e parte
sem perceber
que é mortal.

Sem notar que tudo passa
e não dura
que a vida foge
e não pára.

JOSÉ MENDONÇA TELES
GOIÂNIA, GO.
Hidrolândia, GO – 25 / 03 / 1936.
Diplomado em Direito.
Poeta, contista, cronista, ensaísta, historiador, biógrafo.
1ª participação no Lítero Cultural : 11 / 10 / 2002.
Muito obrigado pelo Destaque de minha pessoa no seu Lítero Cultural.

INSTANTE DEZ

Passei o dia todo
Com tantas coisas na
Cabeça.

Passei a semana toda
Com tantas coisas na
Cabeça.

Aliviei-me dos problemas
Quando você chegou
E virou minha cabeça.

CAIO PORFÍRIO CARNEIRO
SÃO PAULO, SP.
Fortaleza, CE – 01 / 07 / 1928.
Diplomado em História e Geografia.
Romancista, poeta, novelista, contista, crítico.
1ª participação no Lítero Cultural : 22 / 11/ 2002.
Sua página literária é excelente !

FORTALEZA

De ti, o que dizer, Fortaleza ?
O que dirão as palavras ?
Nulas são.
Abri os olhos no teu seio
Que acolheu o meu primeiro choro.

De ti, o que dizer, Fortaleza ?
Tu te integraste à minh’alma
És essência de mim mesmo.
O silêncio dirá tudo.

Então, Fortaleza, para que palavras
Se iríamos falar e nós mesmos ?

Todos cantam sua terra...
Como vou cantar a minha
Se eu cantaria a canção eterna
Que vive dentro de mim ?

ARTUR BARTHELMESS
CURITIBA, PR.
Cândido de Abreu, PR – 16 / 06 / 1922
Diplomado em Direito e Química.
Poeta, contista, cronista.
1ª participação no Lítero Cultural : 20 / 12 / 2002.
Desvanecido por me haver incluído no rol de colaboradores do seu jornal.

antimáteria e quarks
big bang e buracos negros
entropia e vida
do mundo o rumo da vida
do tempo

o trovão
e Júpiter
Juno
e a nuvem

a confrontação
com o sagrado.

IZACYL GUIMARÃES FERREIRA
SÃO PAULO, SP.
Rio de Janeiro, RJ – 22 / 09 / 1930.
Diplomado em Direito e Biblioteconomia.
Poeta, ensaísta, tradutor.
1ª participação no Lítero Cultural : 07 / 02 / 2003.
Lítero Cultural, esforço a ser louvado e imitado.

A LUTA FLORIDA

A corte, o corte
na mensagem dos corpos.

Minuetos, mazurcas
e os ritos rubros da floresta.

A linguagem das flores e dos leques
A linguagem das mãos de qualquer dança.

Da noite escura de uma solidão
ao sol maduro de uma iniciação.

Guerra florida. Assim chamou Amanda
a luta marcial que trava o amor.

SONIA SALES
SÃO PAULO, SP.
Nasceu no Rio de Janeiro, RJ.
Poeta.
Desenvolve intensa atividade cultural e artística.
1ª participação no Lítero Cultural : 07 / 05 / 2004.
Obrigada pela divulgação no Lítero Cultural. A sua página é uma contribuição valiosa para a cultura do nosso País. Confesso que o inesperado presente me emocionou.

AURORAS ASSASSINADAS

Observo o cair da tarde,
um filete de sangue espalha-se
no horizonte.

Esconde-se o sol, oculto nas sombras
do negro concreto. Caem os enfermos
como moscas em papel melado.
absorvo o grito da abelha mestra.
O zumbido não pára. É apenas
um ruído, o ruído dos operários
levando o entulho das auroras
assassinadas.
Espero um momento para ver
a lua. Ela não decepciona.

JOSÉ NÊUMANNE PINTO
SÃO PAULO, SP.
Uiraúna, PB – 18 / 05 / 1951.
Formado em Jornalismo.
Poeta, escritor, antologista.
1ª participação no Lítero Cultural : 14 / 05 / 2004.
Obrigado pela reprodução de meu poema em sua página e pela lembrança de me mandar o recorte da página,amigo Selmo.

GALOPE
Para Sérgio de Castro Pinto

Olho bom ele tinha pra mirar,
olho cego chorava seu destino;
co’o olho bom só dava pra matar,
co’o olho cego via o intestino;
só olho cego via bem o mar,
o olho bom servia ao assassino;
co’o olho cego foi capaz de amar,
co’o olho bom sobrava apenas tino.

Pé direito servia pra correr,
pé esquerdo vagava no sertão;
co’o pé direito até foi de escolher,
co’o pé esquerdo dançava bem baião;
se o pé esquerdo buscava colher,
o pé direito nunca deu perdão;
co’o pé esquerdo sabia descer,
co’o pé direito era só capitão.

Co’a bala foi viver pra resistir,
sem bala só viveu ra ser um santo;
o bornau só usava pra fugir,
no bornau escondia bem seu pranto;
sem a bala em fuzil foi existir,
co’a bala em rifle ele foi um espanto;
olho cego ele usou pra refletir,
olho bom o vestia como um manto.

JOSÉ NÊUMANNE PINTO
VAMOS BEBER A TARDE ?

Nada como uma sinfonia de Beethoven,
um lápis, um papel, um copo, uma tarde.

Beije nos lábios o sonho
e deixe-o passar assim dormente.

Sopre no ouvido o espanto
e deixe-o viver assim dolente.

WALDIR RIBEIRO DO VAL
RIO DE JANEIRO, RJ.
Ariranha, SP – 1928.
Diplomado em Direito.
Poeta, ensaísta, antologista. Editor da Revista Poesia para Todos. Diretor da Edições Galo Branco.
1ª participação no Lítero Cultural : 29 / 10 / 2004.

MEU CANTO

Meu canto atravessará a noite
e se perderá na ausência :
nem a estrela ouvirá a súplica
nem serão testemunhas os pássaros.

Meu canto atravessará a noite,
satélite perdido.
Ainda que ninguém o pressinta,
ele estará ali, em marcha,
buscando o infinito.

Quem um dia saberá de sua existência ?

Apesar de tudo, canto :
como quem se dessedenta,
um cão faminto sobre as migalhas.

SELMO VASCONCELLOS
PORTO VELHO, RO.
Rio de Janeiro, RJ – 06 / 10 / 1951.
Formado em Administração.
Poeta, contista, cronista, antologista.
Editor da página Lítero Cultural

MATA

Hoje me matas
violentamente
com este machado.

Mas,
amanhã, das minhas flores
te farão uma coroa,
do meu caule
tua urna mortuária.

Aí sim,
irás ao encontro
da minha raiz.

Eu te esperarei lá embaixo.

C O M E N T Á R I O S

FLÁVIO RUBENS, RIO DE JANEIRO, RJ
Selmo Vasconcellos,
Li sua revista, é óbvio. Mas sua revista não é obvio. É a escolha detalhada de poemas que enobrecem a Literatura Alternativa do Brasil. Não basta reunir grandes poetas e sim, o que fizeram, grandes poemas.
A lisura do texto, a perfeição morfológica dos ritmos e das rimas, traz ao conteúdo global a certeza de que o trabalho é altamente creditado nos centros da intelectualidade brasileira. Revi e reli velhos amigos, não por amigos serem, mas pela consistência semântica de seus versos e temas. Valeu a pena o inusitado esforço. Assim é a literatura porque ela exige o máximo do literato.
Obrigado pelo envio resta a lembrança dos textos decorados e submetidos à apreciação.

RAQUEL NAVEIRA, CAMPO GRANDE, MS.
Caro Amigo, Selmo Vasconcellos,
Agrsadeço o envio da Revista Antológica Lítero Cultural, que você organizou com tanto empenho, dedicação e carinho.
Concordo com o filósofo Cícero : “A vida sem bondade e sem amizade não tem prazer algum.”. Você sabe cultivar a amizade generosa.
Obrigada pela divulgação de meu trabalho, em terras distantes.

ANDERSON BRAGA HORTA, BRASÍLIA, DF.
Caro Selmo :
Parabéns pela Revista Antológica Lítero Cultural, e obrigado pela minha inclusão.

JOANYR DE OLIVEIRA, BRASÍLIA, DF.
Caro Selmo :
Receba os meus agradecimentos pela distinção com que me honrou ( Revista Antológica Lítero Cultural ).

RONALDO CAGIANO, BRASÍLIA, DF.
Prezado Selmo :
Acabo de receber a Revista Antológica Lítero Cultural, belíssima coleção de textos dos freqüentes colaboradores de sua coluna.
Um trabalho desse está a mercê uma edição por uma editora, porque é de interesse de todos. Você não conseguiria uma edição com alguma universidade aí ? Parabéns !!!

HUMBERTO DEL MAESTRO, VITÓRIA, ES.
Desejo externar meus agradecimentos ao poeta, escritor, crítico literário e ativista cultural, Selmo Vasconcellos, pela brilhante idéia de lançar a Revista antológica Lítero Cultural ( Histórica, naturalmente ), nº 01, de abril/2005, contemplando poetas atuais do Brasil inteiro e onde estou presente com a modéstia dos meus versos. A publicação é singela, sem aparatos, mas atende perfeitamente aos fins para os quais foi criada : divulgar os colaboradores de sua notável coluna, no jornal Alto Madeira, de Porto Velho ( RO ).

ASTRID CABRAL, RIO DE JANEIRO, RJ ( 1 ).
Caro Selmo,
Recebi a Revista Antológica Lítero Cultural e muito agradeço.

ASTRID CABRAL, RIO DE JANEIRO, RJ ( 2 ).
Recebi com alegria e com prazer o nº 1, da Revista Antológica Lítero Cultural. Agradeço a divulgação dos poemas, meu e do AFONSO FÉLIX DE SOUZA.

REYNALDO VALINHO ALVAREZ e MARIA JOSÉ, RIO DE JANEIRO, RJ.
Agradeço a remessa da “Revista Antológica Lítero Cultural, em que você publica um poema de minha autoria. Parabéns por seu trabalho e votos e sucesso permanente em suas atividades.

IRINEU VOLPATO, SANTA BÁRBARA DO OESTE, SP.

Amigo Selmo,
Chegou sua Revista Antológica Lítero Cultural, muito grato. Aliás é seu feitio congregar muita gente bacana nessa sua galeria de amigos. Fez quando do nascimento do neto e agora em sua Revista. Como é bom a gente ir visitando toda essa gente conhecida, importante no mesmo balaio que a gente.
Você pediu e me atrevo a pequenos reparos, se repetir a edição por que não lembrar de paginá-la ? e montá-la em ½ A-4 ( assim como voluminho que estou anexando ) ? De sempre mais fácil guardar. Sei que alguns autores não gostam se divulgue endereço, mas os que concordam e deixam, por que não ?

JOSÉ MENDONÇA TELES, GOIÂNIA, GO.
Meu caro Selmo,
Meus cumprimentos pela Revista Antológica Lítero Cultural e muito obrigado pela inclusão de meu poema.

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA, BRASÍLIA, DF.
Prezado Selmo Vasconcellos.
Queria agradecer a remessa da Revista Antológica Lítero Cultural chegada ontem.
Desejava transmitir meus cumprimentos pela variedade, qualidade e densidade da Revista e pela luta cultural do amigo, fazendo um trabalho ecumênico e generoso, mapeando a produção literária nacional, muitas vezes ignorada pela mídia hegemônica dos grandes centros, tanto do eixo Rio-SP, como também de Brasília.

SONIA SALES, SÃO PAULO, SP.
Você é incansável, sempre descobrindo novos meios de divulgar a boa poesia e literatura. É uma felicidade poder contar com amigos que contribuem de forma tão generosa para a cultura do nosso país.
Ótima a Revista Antológica Lítero Cultural. Um belo conjunto de poetas, os melhores, e eu me sinto honrada em estar entre eles. Parabéns pela idéia e por executá-la.
Quando quiser fazer um livro, tenho certeza de que todos terão prazer em contribuir.

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, SÃO PAULO, SP.
Forte abraço e grato pela Revista Antológica Lítero Cultural, com poema meu e de muitos amigos. Que bela Revista !

NINA DE ALMEIDA, PORTO ALEGRE, RS.
A Revista está ótima. É isso aí, o poeta que se preze arruma sempre uma maneira de saltar ao vento, os poemas de nossos irmãos. Parabéns, irmão de laços literários.

HENRIQUES DO CERRO AZUL, BRASÍLIA, DF ( 1 ).
Recebi sua importante Antologia e agradeço a inclusão do meu nome e do meu soneto. Muito obrigado pela consideração.
Diz Cícero no diálogo sobre A AMIZADE, L&PM 1997, Porto Alegre, p. 87 e seguintes, que nada é mais agradável do que a graça intensa que nos causa o reconhecimento de um amigo, porque a amizade tem essa função para esse privilégio, como uma forma de utilização ( tradução de Paulo Neves ).
Por isto, peço que me envie sempre o Alto Madeira porque ele também sempre me traz grande alegria, e me informe sempre de sua atividade e de seu êxito, porque me dão igual prazer.

SÉRGIO GERÔNIMO, RIO DE JANEIRO, RJ.
Salve, Selmo
Recebi com muito carinho a Antologia Poética. Você sabe reunir e congregar pensamentos, formas e expressões poéticas dos mais diversos matizes. Parabéns pela iniciativa e obrigado por me considerar neste rol seleto de escritores. Continue sua senda, ela frutificará cada vez mais. Você é nossa sentinela poética na Amazônia.

ALUYSIO MENDONÇA SAMPAIO, SÃO PAULO, SP.
Caro amigo, Selmo Vasconcellos
Acuso o recebimento da Revista Antológica Lítero Cultural ( histórica ), por você editada e que vem contribuir de maneira expressiva para a preservação e desenvolvimento da cultura brasileira.
Agradeço o fato de você haver incluído, na seleção, o meu poema Esperança.
Agradeço-lhe, ainda, seu gesto incluindo-me na Galeria dos Amigos da Revista Antológica Lítero Cultural ( histórica ).

RICARDO ALFAYA, RIO DE JANEIRO, RJ.
Grato pela inclusão de meu trabalho e grato pela remessa.

BEATRIZ ALCÂNTARA, FORTALEZA, CE.
Parabéns pela sua Revista Antológica Lítero Cultural na qual tive o prazer de encontrar meu poema Ver o Mundo.

ARTUR BARTHELMESS, CURITIBA, PR.
O gênio é você.
A orelha da contracapa foi pensada isca, nesga de vitrine para aguçar a curiosidade e estimular a leitura.
Veio você e resgatou o oculto poema.

NEIDE ARCHANJO, RIO DE JANEIRO, RJ.
Recebi e agradeço a Revista Antológica Lítero Cultural. Belo trabalho !
Obrigada pela inclusão de meu nome e pelo afeto de sempre.

AMÉLIA SPARANO, RIO DE JANEIRO, RJ.
Sua interessante Revista Antológica Lítero Cultural, foi uma grata surpresa. Reconhecida agradeço ter-me incluído. Imagino que trabalho deve-lhe ter dão e que despesa. Desejo contribuir como é justo. Lembro-me que um editor nunca deve trabalhar de graça, e recebendo um justo ressarcimento faz igualmente jus a simpatia e gratidão de seus editados. Pessoalmente envaidece-me ser reconhecida em Rondônia. Vejo em tão boa companhia de poetas amigos.
Mesmo de longe dedico-lhe uma amizade sincera e uma grande admiração pela sua obra de difusão cultural.

ILDÁSIO TAVARES, SALVADOR, BA.
Selmo, velho amigo :
Beleza sua antologia em forma de revista, com um impressionante elenco de poetas em que generosamente, me incluiu ! Gracias !

ALCIDES BUSS, FLORIANÓPOLIS, SC.
Obrigado pela Revista Antológica Lítero Cultural.

FRANCISCO DE ASSIS NASCIMENTO, GOIÂNIA, GO
Ao literato Selmo Vasconcellos – saudações pelo nascimento da Revista antológica Lítero Cultural ( Histórica ), nº 01, abril de 2005, pelo seu alto nível e beleza poética, este festival de poesia, com afeto, amizade, admiração, carinho, confraternização, solidariedade e votos de muitas realizações ao longo da jornada desta existência, juntamente com seus familiares e felicidades com fé !

JEAN-PAUL MESTAS & CHRISTIANE, VICHY, FRANÇA
Je viens de recevoir le nº 01 de Revista Antológica Lítero Cultural.
C’est beuacoup d’émotion et de bonheur dont je vous remercie, cependant que Chris se joint à moi jour vous dire notre Amitié vivante à Rosângela et à vous.

1 Comments:

Blogger Luciene said...

Prezado amigo poeta Selmo Vasconcelos, estou fascinada com o seu trabalho nesse blog. Reunir tanta gente de valor, organizar poemas, dados biográficos... está uma maravilha. Entrei e perdi a noção do tempo, você merece nota 1000. Um grande abraço de Luciene Freitas

3:52 PM  

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